Testemunho: Petro Antony Chacha, Tanzânia

26 | Abril | 2020

Chamo-me Petro Antony Chacha, sou da Tanzânia e tenho 36 anos. Nasci em Musoma e sou o primeiro de oito filhos: duas meninas e seis rapazes. Um dos meus irmãos é religioso da Ordem de Montfort e o mais novo está no seminário menor.
Recebi o batismo e a Primeira Comunhão no dia 24 de dezembro de 1995, com 12 anos, porque antes da conversão da minha mãe, em 1993, a minha família não era católica. Depois da primária quis entrar no seminário menor de São Pio X, para continuar o secundário porque sempre me impressionou muito a vida dos sacerdotes e dos catequistas da minha paróquia.
No entanto, depois de terminado o secundário, quando se supunha que devia entrar no seminário maior passei por uma forte crise vocacional. Isto marcou o início de sete anos de secura espiritual. Decidi fazer uma paragem para pensar e matriculei-me na Universidade de Dares Salam, onde fiz o curso de Ciências da Educação com especialização em Química e Biologia.
E fui contratado pelo Governo para ensinar na escola Secundária Técnica de Bwri.
Mas o Senhor não se esqueceu de mim e fez com que se prendesse à minha alma uma luz nova, e um chamamento ainda mais forte para o sacerdócio começou a brilhar no meu coração na Quaresma de 2012. Foi um momento muito particular: estava com um grupo de uma pequena comunidade cristã e fomos fazer uma visita às Irmãs Clarissas no seu convento. Atraído pela sua simplicidade e piedade, o chamamento a entregar-me completamente no sacerdócio voltou a
brotar na minha alma enchendo-me de felicidade.
Mas para ter a certeza de que este era o meu caminho fui pedir conselho a alguém que sabia que me ia entender: uma religiosa mais velha do convento, a irmã Maria da Sagrada Família. Esta freira santa animou-me através de duas coisas: a história da sua vocação e uma autêntica catequese sobre a bondade, a importância e a beleza do sacerdócio. Mandou-me falar com o bispo, mas aconselhou-me dois anos de reflexão.
Em 2014, depois de dois anos de oração, o meu bispo aceitou-me como seminarista. Não consigo exprimir a alegria que tive nesse dia. Em outubro de 2017 comecei a estudar teologia no Seminário de São Carlos Lwanga, mas o meu bispo disse-me que tinha conseguido uma bolsa para que eu fosse estudar para Roma, para a Universidade Pontifícia da Santa Cruz, residindo no Colégio Eclesiástico Internacional Sedes Sapientiae, onde sacerdotes bons, piedosos e generosos, cuidam muito de mim, da minha vida espiritual e vocacional.
Por esta oportunidade sinto-me muito privilegiado e dou graças a Deus todos os dias e rezo pelos meus benfeitores que a tornaram possível. Neste tempo a minha fé e o meu amor à Igreja fortaleceram-se, uma coisa que não poderia ter compreendido na Tanzânia, tendo em conta que a Igreja no meu país é muito jovem.