O saber ao serviço da vida missionária

27 | Junho | 2020

Sou a Madre Maria Rocío (Maria del Valle Roco). Nasci em Córdoba (Argentina). Até aos 16 anos era uma rapariga como tantas, sem nenhum interesse pelas coisas de Deus ou pela religião. Só me lembrava dele quando tinha problemas ou dificuldades, mas tive a graça de ter uns pais muito piedosos que me ensinaram o que é o respeito, o sacrifício e sobretudo quem é Deus. Tivemos que mudar de lugar e na minha nova escola iam às aulas também os alunos do seminário menor. Impressionou-me muito ver jovens da minha idade a entregar a sua vida a Deus, sobretudo um deles que agora é sacerdote. Isto fez com que eu perguntasse sobre o que devia fazer com a minha vida e apercebi-me de que queria seguir o mesmo caminho. Mas onde? Uma coisa estava clara: queria ajudar as pessoas pobres. Foi então que conheci a Congregação das Missionárias de Jesus, Verbo e Vítima. A congregação tinha sido fundada em 1957 por D. Frederico Kaiser, bispo de Caravelí, que tinha chegado ao Peru em 1939, ao ver o território tão vasto e a escassez de clero de que dispunha. Ele dizia: “Não vos ofereço uma vida cómoda, mas feliz, feliz, feliz”. Ao terminar o secundário ingressei no convento e ao passar pela porta da clausura disse ao Senhor. “Para sempre!”. Todos os dias rezo pela minha perseverança.

Os sítios que atendemos carecem de sacerdotes residentes, e nós vamos lá para preparar aquelas gentes com uma adequada catequese para que eles as possam visitar uma ou duas vezes ao ano. Batizamos, assistimos aos matrimónios, distribuímos a Comunhão, ajudamos a morrer bem, ensinamos e assistimos também às suas necessidades materiais. Depois de 6 anos de formação fui para o centro missioneiro de “La Candelaria” em Santigo del Estero, uma das zonas mais pobres da Argentina. Para poder chegar às aldeias era preciso ir a pé, de camioneta, a cavalo ou de bicicleta. Uma das experiências mais bonitas da minha vida foi pedalar 20 ou 25 km por esses caminhos arenosos e silenciosos de Santiago levando comigo o Santíssimo, porque se sente a natureza em toda a sua expressão e se pode meditar na bondade e misericórdia do Senhor, que às vezes se vale de instrumentos tão indignos para levar a Boa Nova da Salvação. Para as pessoas que visitávamos a nossa chegada era uma festa: “As madrecitas vêm visitar-nos!”. Depois de três anos fui para o Peru, para a montanha, entre 3.500 e 5.000 metros de altitude, com frio, caminhando por lugares inóspitos onde também há almas que têm fome de Deus. A minha vida é uma experiência que não a comparo com nada.
Além da formação própria da Congregação convém que algumas estudemos mais e eu tive a graça e a oportunidade de me formar aqui em Roma, coração da cristandade. Pelo prestígio e a qualidade do ensino que tem a Universidade Pontifícia da Santa Cruz, muitas formámo-nos aqui, onde não só se recebe uma formação intelectual como também usufruímos de muitos elementos importantes para a nossa formação religiosa: lugares para rezar, celebração da Santa Missa e a ajuda e compreensão de cada um dos professores. Mas o que mais me impressiona é o clima de família que se respira, apesar de sermos de muitas nações diferentes. Cada aluno é importante e cada professor dá do seu tempo para esclarecer dúvidas e solucionar as nossas dificuldades. Eu estudo Comunicação Social e Institucional, já que as redes sociais são lugares que precisam de ser evangelizados.

Estou infinitamente agradecida pelo apoio de todos aqueles que tornam possível que também nós as religiosas possamos ter acesso à formação intelectual para depois a derramar na vida missionária.